Diferenças entre TV Digital, HDTV e Full HD
Quem
já teve a experiência, altamente gratificante, de
assistir a um bom programa de TV Digital HDTV em Full HD com Áudio
Surround 5.1, certamente torce o nariz, os olhos e os ouvidos
para muita coisa que se apresenta no mercado como TV Digital de
alta qualidade.
TV
Digital, a partir de um determinado nível de compressão,
passa a ter menos qualidade do que a TV Analógica. Por
exemplo, em termos de resolução a TV Digital em
SDTV equivale aproximadamente à TV Analógica tradicional,
mas superior a esta a partir do HDTV, mesmo que este HDTV não
seja Full HD. SDTV tem resolução em torno de 480
linhas entrelaçadas (640x480 i), HDTV cerca de 720 linhas
progressivas (1280x720 p) e HDTV, com Full HD, 1080 linhas entrelaçadas
(1920x1080 i) ou 1080 linhas progressivas (1920x1080 p).
Em
tese, podemos usufruir de Full HD através da TV Aberta,
TV por Assinatura, IPTV, Blu-Ray, HD-DVD ("Let it die?")
e, por que não, até mesmo via Internet?
Desde
o dia do lançamento da TV Digital no Brasil em 02 de dezembro
de 2007, na cidade de São Paulo, as grandes emissoras de
TV Aberta vêm transmitindo diariamente programas em Full
HD em alguns horários. No que se refere ao áudio
surround 5.1 que deve acompanhar as transmissões em Full
HD, de forma a abordar com mais propriedade e evitar polêmica
imediata , vou deixar para outro artigo.
As
TV´s Abertas foram as pioneiras do Full HD no Brasil e partiram
direto para a compressão H.264 AVC (MPEG.4 parte 10). As
TV´s por Assinatura, como era de se esperar, procuram de
todas as maneiras adotar contramedidas no sentido de evitar que
parte da sua base de assinantes seja atraída pela alta
qualidade da TV Digital Aberta e, em especial, pelo Full HD com
Áudio Surround 5.1 que certamente é objeto de desejo
acessível, principalmente, para as classes A e B onde se
encontra, praticamente, toda a sua base de assinantes. Por exemplo,
se você entrar no site da NET (HTTP://nettv.globo.com),
ou falar com a central de atendimento ou mesmo entrar em uma das
lojas autorizadas e procurar informações precisas
sobre NET Digital HD e, principalmente, sobre Full HD, vai perceber
logo o que está acontecendo.
A
SKY deve lançar em breve a sua alternativa HDTV, mas as
grandes dúvidas são com que taxa de compressão
e quantos canais SKY vão disponibilizar Full HD.
A
TVA, que disponibilizou em 2006 para uma ínfima parcela
da população paulistana a primeira transmissão
de uma Copa do Mundo de Futebol em HDTV, promete em breve novidades,
mas temos as mesmas dúvidas apontadas para a SKY e a NET.
E
o IPTV hein? A quantas anda no Brasil? A ANATEL deve estar trabalhando,
estudando e discutindo muito para, sob toda essa pressão
das várias correntes interessadas, ainda conseguir dentro
da Lei satisfazer a todas as tribos e dar soluções
elegantes para estes temas ultra-polêmicos que são
o IPTV e a SUPERTELE ( também chamada de BrOi= Brasil Telecom
+ Oi).
Bem,
por enquanto só VoD (Video On Demand), mas não vejo
outra opção para as operadoras de telecomunicações:
ou sai o IPTV com Full HD, Som Surround 5.1, Interatividade e
outras vantagens, ou a sobrevivência delas ficará
seriamente em risco.
E
que fique bem claro: ter TV Digital não significa que você
assiste HDTV e ter HDTV não garante que você usufrui
de Full HD. Programas de HDTV com Full HD têm sido transmitidos
pelas TV's Abertas com taxas de até 18 Mbit/s no padrão
MPEG 4 para obtenção do máximo de qualidade
possível dentro do canal de RF de 6 MHz. Isto já
está criando no Brasil uma referência de experiência
Full HD para o usuário, (descrita como "estonteante",
"sôco no estômago", "de cinema"
e outros adjetivos). Fica evidente que as operadoras de TV por
Assinatura , aí incluindo o IPTV, terão de atingir
esse patamar de referência para manterem a competitividade.
Aguardemos os próximos "rounds" !
Mas
não se esqueça: para se deleitar com Full HD todos
os componentes devem ser Full HD, desde a produção
até o display. Muita atenção nos detalhes
do Full HD. Nunca é demais !
Artigo
escrito por J.R.Cristóvam da Unisat.com.br
JOSÉ
RAIMUNDO CRISTÓVAM NASCIMENTO, é consultor técnico
especializado em Telecomunicações, Broadcast, Redes
e Internet, com atuação de destaque nas áreas
de projetos, seleção de fornecedores e operadoras,
contratos, implantação, operação e
manutenção. Iniciou sua carreira como engenheiro
na NEC, instalando CTV's e rotas de microondas para transmissão
de TV e telefonia. Migrou da NEC como chefe da seção
de Implantação Rádio, para trabalhar como
chefe da divisão de Televisão da Telebahia onde
liderou a equipe que projetou e implantou o programa de interiorização
de TV no estado, envolvendo equipamentos de SHF, VIDIPLEX e novos
Centros de TV. Na Embratel, trabalhou nas áreas Nacional
e Internacional, em comunicações via satélites
Brasilsat e Intelsat, além de ter sido um dos pioneiros
na área de Videoconferência no Brasil. Integrou a
equipe da Divisão de Mercado da Embratel que criou o conceito
de Engenharia Comercial no Brasil. É Diretor Técnico
da Unisat desde 1990, consultor de empresas nacionais e internacionais,
e vem também ministrando regularmente treinamento para
uma parte considerável das principais empresas. É
Presidente da Comissão Permanente de TV Digital da TELECOM,
Professor e Coordenador do MBA em TV DIGITAL, RADIODIFUSÃO
& NOVAS MÍDIAS DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA
da UFF (Universidade Federal Fluminense), professor no MBA Serviços
de Telecomunicações e na Pós-Graduação
Especialização em Comunicações Móveis
também da UFF, CEFET (Centro Federal de Educação
Tecnológica), UVV (Universidade de Vila Velha) e da FACAM.
Coordena ainda no Brasil o GVF-Global VSAT Fórum, ministra
palestras e tutoriais em eventos como os da SET, Broadcast &
Cable, Telexpo, SUCESU, Futurecom e outros ambientes. É
autor de artigos e publicações técnicas especializadas
para diversas mídias. É reconhecido por sua forte
atuação no mercado de telecomunicações,
broadcast e internet de uma forma abrangente e pelo seu diversificado
domínio de tecnologias, sistemas, redes, serviços
e soluções para clientes. Engenheiro Eletrônico
pela Escola de Engenharia da UGF, Pós-Graduado na UFF em
Telecomunicações com especialização
em TELEMÁTICA e conferencista em congressos nacionais e
internacionais.
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